domingo, 1 de abril de 2012

As Mulheres na obra Missionária

por Tiago Monteiro

A história missionária brasileira tem sido escrita, ao longo dos anos, por homens e mulheres cheios de amor pelas almas perdidas. Vidas que, apesar de suas limitações, se entregam para que Cristo seja proclamado em todas as regiões de nossa Pátria, seja através da educação, quando o interior do país sofria esta carência, ou como esposa de pastor, apoiando o ministério do marido, que vencia as distâncias sobre o lombo de animais para pegar o evangelho.
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Fazendo discípulos e educando vidas
Na época em que era aluna do Instituto Batista de Carolina, MA, Dinalva Salles Queiroz, missionária aposentada de Missões Nacionais, não imaginava que a escola teria um papel tão importante em sua vida. Por intermédio dela, conheceu o evangelho e despertou sua vocação por missões.
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Tudo começou com a visita de seu pai, Salatiel Queiroz, aos cultos dirigidos por Zacarias Campelo. Sua aproximação com os missionários tornou-se cada vez maior, até que se converteu. A mãe de Dinalva, Eduvirges Salles Queiroz, temia o contato com evangélicos, já que vinha de uma família tradicionalmente cética ao trabalho por eles realizado. Entretanto, ao ouvir o testemunho de Noemi Campelo, emocionou-se, convertendo-se a Cristo. Para batizar-se, foi para Itacajá, TO, pois temia a reação da sociedade carolinense. Aos poucos, Eduvirges se envolveu com o evangelho a ponto de ser reconhecida pelos crentes da região como "mãe dos missionários", tamanha era a ajuda por ela prestada.
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missionária Dinalva
Dinalva batizou-se aos 15 anos e recebeu grande ajuda dos missionários que atuvam na região. Como não havia na cidade oportunidade para aprofundar-se nos estudos, driblou as adversidades com aulas complementares de matemática com o pai, português com missionárias e conseguiu fazer um curso de escrituração mercantil e correspondência comercial. Mais tarde foi convidada pela missionária Margarida Lemos Gonçalves, recém-chegada em Carolina para ministrar aulas de matemática em uma turma de alfabetização de adultos.
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Nessa época nasceu o desejo de tornar-se verdadeiramente professora, sendo o convívio com Margarida Lemos um importante fator para sua decisão. Aos 21 anos foi para o Rio de Janeiro a bordo de um avião da FAB para ingressar no Colégio Batista, que doara à jovem uma bolsa de estudos. Formou-se também no IBER - Instituto Batista de Educação Religiosa, hoje Centro Integrado de Educação e Missões (CIEM). Foram sete anos em regime de internato, com estudos intensivos em dois turnos e estágios em periodo de férias.
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Inscrevendo-se para Junta de Missões Nacionais, Dinalva tinha sido nomeada para trabalhar em Tocantínia, TO. Estava tudo preparado para viagem até que houve um imprevisto e ela foi enviada de volta à sua terra natal, para dar prosseguimento ao trabalho no Instituto Batista de Carolina. Ao chegar, avistou um cenário preocupante. As condições de infra-estrutura da escola estavam em péssimo estado. Devido à situação, decidiu preparar uma proposta para que Missões Nacionais aprovasse a construção de um novo prédio, aproveitando um espaço inutilizado do pátio. Foi um época difícil. Além da falta de recursos, Carolina não oferecia meios adequados para o transporte de material de construção, boa parte dos quais foram transportados em animais. Por falta de recursos financeiros, o edifício foi concluído parcialmente em 1967. Anos mais tarde foram construídas quadras de esporte e um auditório.
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No início da década de 70, Missões Nacionais concluiu que o papel das escolas no interior do país havia chegado ao fim. A escola batista em Carolina foi poupada, por ser bem conceituada na cidade e por contar com uma estrutura que atendia as exigências legais - faltando apenas implantar um curso fundamental completo. Para suprir esta carência, Dinalva voltou a estudar e conseguiu completar um curso superior, na área de estudos sociais. Nessa época, a escola batista ficou sob a direção geral do missionário Guenther Carlos Krieger. Dinalva continuou como professora e coordenadora das atividades internas a direção, até fevereiro de 1995, ano em que se aposentou.
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A missionária atuou em Missões Nacionais durante 37 anos ininterruptos, educando crianças e adolescentes. Era carinhosamente conhecida pelos funcionários e alunos do instituto como "prata da casa". Tal apelido não veio por acaso. Sua vida é um somatório de luta e dedicação pela obra missionária.
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Uma missão e uma só carne
Ser esposa de pastor e missionário é um ministério. Uma vida de abnegação, de desafios constantes, viajando pelo Brasil sem saber o que a aguarda são algumas peculiaridades reservadas àquelas que aceitaram dividir com o esposo a responsabilidade de plantar igrejas. Elenir Paz de Araújo é uma dessas mulheres. Sua vida é um incentivo para muitas que, apesar do amor, sentem medo de enfrentar os campos.
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Elenir nasceu em um lar evangélico. Seus avós perpertuaram a benção da salvação, ensiando os filhos e netos nos caminhos de Deus. Foi batizada aos 14 anos, pelo pastor Francisco Colares, quando em uma das viagens visitou a cidade de Ponte Alta, TO, um município simples, sem recursos, que não dava a seus habitantes de crescimento, tampouco havia uma igreja evangélica. Por esse motivo, dois anos após seu batismo, mudou-se com suas irmãs para Porto Nacional a convite do pastor Colares para que pudessem estudar e frequentar uma igreja. Apenas a mãe, já viúva, permaneceu em Ponte Alta. "Recebemos dele e de sua esposa, Nair, tudo que um pai e uma mãe poderiam dar ao filho. Foi muito bom para nós esta oportunidade", lembra Elenir.
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Pr Jovino e Elenir com as filhas
Mais tarde, mudou-se para Taquarussu, voltando a morar com a mãe, esta recém-chegada à cidade. Nesta ocasião, o pastor Jovino Araújo, missionário de Missões Nacionais, realizava um trabalho de plantação de igrejas na região. Enamorado, pediu a jovem em casamento. Elenir, a princípio, não aceitou o pedido. "Achei impossível aquela ideia, pois não me considerava capaz de ser esposa de pastor. Não tinha o preparo suficiente para aquela função". Persistente, Jovino insistiu, até que, na terceira vez, Elenir, que já devotava um sentimento obreiro, aceitou o casamento. A cerimônia foi realizada em 1957.
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Realizando a obra missionária, o casal foi transferido para o município de Cristalândia e Natividade. Sete anos após o trabalho em Natividade, o pastor Jovino começou a apresentar sinais de enfermidade. O quadro progrediu até que precisou ser transferido para Porto Nacional, onde recebeu cuidados médicos adequados. Ainda em tratamento, plantou igrejas e evangelizou muitas vidas, até que seu estado de saúde agravou e foi preciso se aposentar por não apresentar condições de desenvolver a obra missionária.
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Naqueles dias o trabalho era realizado de maneira bem rústica. "Meu esposo fazia viagens numa mula. Ele tratava daquele animal com todo cuidado. Foram muitas oportunidades que ele teve de sair e pregar, às vezes acompanhado de membros da igreja. Mesmo com dificuldade de transporte, nunca deixou de fazer a obra de Deus". A perseguição religiosa também foi uma ferramenta usada pelo diabo para dificultar o trabalho missionário. "Certa vez me preparava para ir à escola dominical, com minhas filhas, quando quase fui apedrejada dentro de casa. Eu estava próxima à janela, com minha filha no colo. Eram meninos que estavam sendo incentivados por líderes religiosos que não aceitavam o trabalho evangélico".
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Jovino faleceu em 1991. Ele tinha um problema cardíaco, além de reumatismo e pressão alta. Deus o sustentou e enquanto pôde frequentava a igreja, estando sempre pronto a fazer o trabalho de Deus. No clímax de sua enfermidade, ficou mais de oito anos sem condições de andar. "Nesta época já era aposentado e eu pude estar ao seu lado, ajudando nos momentos difíceis, de dores, até que chegou o momento de luto, a família missionária recebeu todo o apoio da Junta de Missões Nacionais. Em muitas ocasiões, Elenir recebeu visita do pastor David Gomes e de outros executivos que o sucederam. Hoje vive em Taquarussu e ainda trabalha para que Cristo seja proclamado.
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Fonte: Revista PATRIA PARA CRISTO - Ano LX nº 243


Um comentário:

Alexandro disse...

Conheço, já fui aluno. Uma ótma pessoa.