sábado, 12 de novembro de 2011

Hinos que contam história

por Tiago Monteiro

No último domingo do mês de novembro comemora-se o dia do Ministro de Música Batista. Aproveitando a data, Missões Nacionais buscou na história pessoas que, inspiradas pela temática missionária, realizaram produções que estimulam o desejo de ver a nação entregue a Cristo. Nesse campo, o hino Minha Pátria para Cristo - cantado há cerca de um século pelos batistas brasileiros - merece destaque por traduzir tão perfeitamente o sentimento de paixão pela pátria.

Nascido em dezembro de 1859, na Carolina do Sul, EUA, Willian Entzminger se converteu aos doze anos de idade. Ao ouvir testemunho de um missionário chinês, em 1891, aceitou sua chamada para missões. Entzminger chegou ao Brasil no dia 11 de agosto, mais precisamente em Salvador, Bahia. No país, viveu e sofreu intensamente pelo Evangelho. Teve a perda de seus dois filhos e, nesse período, não esmoreceu. Em meio a tudo isso compôs Minha Pátria para Cristo, em 1916. A letra exalta o país e dá ênfase à salvação da nação. Há na música uma paráfrase do Hino da Independência no trecho "Brava gente brasileira, longe vá temor servil; ou ficar a Pátria salva, ou morrer pelo Brasil". Bill Ichter, o responsável pela harmonia da música, chegou a declarar que Minha Pátria para Cristo, por ter uma mensagem tão patriota, era o grito de guerra dos batistas brasileiros. Mais tarde, o Cantor Cristão compilou cerca de 72 hinos escritos ou traduzidos por Willian Entzminger.

A paixão pelas almas e o desejo de vê-las salvas continua inspirando muitos crentes, ao longo da história, a compor hinos, que são usados tanto para levar pessoas a Cristo como a atender ao chamado missionário.

Celso de Oliveira ao lado de sua esposa Alice

Violonista de missões
Em 1913 nascia Celso de Oliveira. Ele tornou-se um advogado batista que além de ter tido seu nome incluso no rol da liderança nacional e mundial da denominação, foi autor de vários hinos oficiais. Celso deu seus primeiros passos como músico ainda criança, quando cursava o primário no Colégio Batista no Rio de Janeiro. Na sala dos instrumentos musicais da instituição ele aprendeu escondido os primeiros toques de corneta usados em desfiles estudantis. Mais tarde, com 15 anos, aplicou-se ao estudo do violão. Tendo como professor o compositor Noel Rosa, nessa época já começava a compor suas primeiras canções populares.

A música também contribuiu para a conversão de Celso. Certo domingo pela manhã, ao passar em frente à Primeira Igreja Batista do Rio de Janeiro, ouviu o hino cuja mensagem dizia: "Oh! que amor glorioso! / Preço tão grandioso / que Jesus por mim na cruz pagou; / inaudita graça me mostrou!". Interessado na linda melodia, decidiu assistir ao culto e, por fim, ouviu a mensagem do pregador. Assim, durante o apelo, entregou-se a Jesus. Após o batismo recebeu um conselho: "O irmão, para ser um bom crente, precisa deixar de tocar violão, que é um instrumento do carnaval". Pensando sobre este assunto, ao chegar em casa, Celso entrou em seu quarto, ajoelhou-se e, com o instrumento em cima da cama, consagrou-o ao Senhor. "Cheguei à conclusão de que deveria escrever poemas religiosos, e usar o violão para compor hinos inspirados por Deus", escreveu Celso em sua autobiografia.

O primeiro hino para a Campanha de Missões Nacionais foi É tempo de Ceifar, em 1965, que originou uma carta do missionário e pastor Samuel Mitt - deão do Instituto Teológico de Carolina, MA, que em 1968 se tornaria diretor executivo da JMN - prestigiando o hino. "Ao ouvir aquela bela e significativa mensagem cantada exaltei ao Senhor, que usou o irmão para fazê-la vir à existência... tenho certeza de que, caso desse a palavra aos alunos e professores do Instituto, para que se manifestassem, todos endossariam minhas palavras", dizia um trecho do documento. Outro hino, desta vez da campanha de 1967, Pelas Misericórdias Divinas, chegou a ser traduzido para o inglês, sendo considerado o cântico oficial da campanha batista de evangelismo de todo o continente australiano. "Como o referido hino foi parar na Austrália, sem minha participação, entendi que a obra de Deus pode percorrer todo o mundo, para que os povos possam marchar seguros e reconciliados em amor", afirma Celso em sua autobiografia.

Na Campanha de Missões de 1970, Celso de Oliveira usou o pseudônimo Cantídio para participar do concurso para o hino oficial. Bill Ichter, na época diretor da Divisão de Música da JUERP, ao analisar a música, comentou: "O hino Eis Portas Abertas reúne todas as qualidades necessárias para um bom hino oficial... musica fácil de aprender, marcial, totalmente cantável; acompanhamento ao alcance de quase todos aqueles instrumentos mais usados em nossas igrejas".

Além das músicas já citadas, o compositor é dono de um vasto acervo de cânticos missionários, a maioria produzida entre as décadas de 60 e 70. Ao longo de sua vida, Celso acumula um legado de 90 hinos e cânticos, além de 50 poemas com enfoque cristão.

Evio entre indígena e missionário
da Wycliffe no interior da Pátria
Soldado de Cristo
Evio Correia Oliveira foi outro colaborador de Missões Nacionais. Formou-se em artes e administração de empresas nos Estados Unidos, onde também realizou o mestrado em Música Sacra. Ao voltar ao Brasil, tornou-se piloto de helicóptero, voando por todo o Brasil. Filho de pastor (Eliezer Correia Oliveira, já falecido, e Edla Lins de Oliveira), envolvido sempre nas atividades da igreja, em seu vôos era surpreendido por tantos lugares onde não havia igrejas e nem mesmo um ponto de pregação. "Eu, piloto, trajando meu macacão, reunia em um casebre com as pessoas do local e realizava ali um culto, ainda que não fosse um pregador", compartilhou.

Em certa ocasião, inspirado pelas experiências vividas em suas viagens, sentou-se ao piano na casa materna e começou a dedilhar. Surgia então a melodia, a métrica e por fim o hino Marchai com o Evangelho. Evio foi à sede de Missões Nacionais para apresentá-lo ao então executivo - pastor Samuel Mitt - que, ao ouvir a primeira estrofe, declarou: Esse é o hino de nossa campanha.

"Um dia fui à igreja, da qual era membro meu irmão caçula em Fortaleza, e a dirigente chamou a congregação a ensaiar o hino da campanha daquele ano. Logo foi informada de que o compositor encontrava-se entre eles e então  fui convidado a conduzir aquele momento. Que emoção e alegria, dirigi-los entoando o hino", exclamou Evio. Em seu título, o hino faz referência ao militarismo tão presente naqueles anos, mas trazendo um apelo: que se marchasse, mas com o evangelho, proclamando a salvação. Em suas estrofes podemos identificar algumas semelhanças com o hino da campanha de 2007, convocando todos do Norte ao Sul, de Leste a Oeste para anunciar aos perdidos e A Pátria para Cristo, nosso alvo ainda a alcançar.

Fonte: Revista PÁTRIA PARA CRISTO - Ano LX, nº 242



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