sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

O Natal da missionária


Escrito por Redação
Ter, 21 de Dezembro de 2010

Elmira, vamos chamá-la assim, atendeu ao chamado de Deus para ser missionária. Preparou-se, foi nomeada e partiu para um país distante. Como dominava fluentemente o inglês, logo começou a fazer amizades e a se comunicar com as pessoas. Iniciou uma classe de inglês para as mulheres do local, mas não podia tocar no nome de Jesus. Qualquer pessoa daquele país que se tornasse cristã, logo era aprisionada e podia ser condenada à morte. Todo o cuidado era pouco. Quatro meses depois chegou o Natal. Era a primeira vez que Elmira passava um Natal longe da sua família, fora da sua igreja e distante da sua pátria. Seria grande imprudência colocar em seu apartamento qualquer símbolo do Natal. Os cartões de Natal que os amigos enviaram ficariam na sede da missão e só seriam entregues a ela quatro anos depois, quando ela fosse de férias. No dia 24 de dezembro, data em que sua família tradicionalmente cantava hinos natalinos, lia a história do Natal na Bíblia e orava agradecendo a Deus por ter enviado seu Filho ao mundo, a nostalgia bateu forte no seu coração. No momento em que o sol cerrou as cortinas e a noite desceu sobre a terra, Elmira sentiu uma profunda solidão. Sem que ela pudesse evitar, começou a chorar.

Inicialmente, foram apenas lágrimas quentes que escorreram pelas maçãs do seu rosto. O choro foi crescendo e se transformou em um pranto convulsivo, incontrolável, com gemidos da alma, sussurros que não eram de queixa, mas de saudade e solidão. Ajoelhou-se apoiada na cadeira, com frêmitos de angústia subindo de sua alma. “Meu Deus, meu Senhor, perdoa-me por este choro, mas eu não posso evitá-lo. Eu não posso festejar o Natal, não posso ouvir um CD de músicas de Natal, não posso desejar a ninguém um Feliz Natal... Ah, Senhor, estou me sentindo tão só. A única coisa que eu posso fazer é derramar diante de ti este meu pranto, esta minha dor”. Passaram-se alguns minutos e ela, ali ajoelhada, chorando, clamando e gemendo de uma dor que jamais poderia imaginar que alguém pudesse sofrer. De repente, ela ouviu uma voz. Não era uma impressão, uma sugestão ou ilusão da sua mente. Era uma voz audível de uma pessoa real. Ela não ousou abrir os olhos para ver quem lhe falava. E a voz falou: “Filha, Eu sou o motivo do Natal e estou aqui com você. Seja fiel até a morte e eu lhe darei a coroa da vida”. A voz calou. Elmira abriu os olhos e olhou em redor. Fisicamente, ela estava sozinha, mas sentia real, nítida, espantosa, a presença de Jesus como nunca havia sentido antes em sua vida. No seu coração pulsava um hino de vitória e ela falou em voz brilhante, ainda chorando, mas sentindo uma mudança completa no seu estado de espírito: “Jesus está comigo! Meu Deus! Este é o Natal mais feliz da minha vida. Obrigada, Jesus”.

Elmira se levantou, lavou o rosto, olhou-se no espelho e sorriu. Voltou para a sala no momento em que a campainha tocou. Temerosa, foi atender. Era uma das suas alunas de inglês acompanhada do marido. Traziam um embrulho, que passaram às mãos da missionária. Ela já entendia o idioma do país o suficiente para compreender que eles desejavam oferecer-lhe um bolo típico da terra e acrescentaram: Nós sabemos que esta é uma data especial para você e resolvemos fazer-lhe esta visita. Também queríamos que você nos falasse um pouco sobre o Natal. Elmira mal podia acreditar no que estava ouvindo. Pela primeira vez desde que chegara àquele país, ela estava sendo procurada por pessoas que desejavam saber sobre o Natal e sobre Jesus. Enquanto ela clamava sozinha em seu quarto, o Espírito estava soprando em outro ponto da cidade. Acomodaram-se na sala. O casal visitante percebeu o brilho nos olhos da missionária e ouviu com interesse o que Elmira lhes falou sobre o significado da vinda de Jesus ao mundo. Ao final, na despedida, enquanto saía, o casal disse à missionária: “Happy Christmas” (Feliz Natal). Elmira sorriu e respondeu: “Happy Chrismas”. Agora sua alma pulsava de alegria, o coração querendo explodir no peito. Com este relato, desejo enviar votos de um Feliz natal aos amados missionários de todo o mundo.

João Falcão Sobrinho



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