domingo, 7 de novembro de 2010

Assistência ou Ação Social? (por Pr. Samuel Esperandio)


De um ponto de vista técnico, a Assistência Social é uma das três áreas em que se divide o trabalho filantrópico no Brasil, somando-se à Saúde e à Educação. Assistência Social denuncia uma espécie de paternalismo, pressuposto pelo sentido da palavra “assistência”, que significa basicamente ações realizadas em benefícios de outros, exaltando o aspecto passivo de quem é o beneficiário de determinada ação.

Prefiro Ação Social, ou seja, o conjunto de procedimentos resultantes de um esforço que pressupõe a visão de agir em benefício da comunidade e das pessoas necessitadas, mas que exalta aspectos ativos e reativos dos beneficiários do bem que se pretende realizar.

Em palavras simples, podemos lembrar o dito popular que diz: “Não dê o peixe, ensine a pescar”. Quer uma coisa mais desestimulante do que fazer uma ação benéfica para alguém que sequer se digna a agradecer? Às vezes pessoas beneficiadas com qualquer ação demonstram que isso não passa de uma obrigação nossa em fazê-lo. Alguns agem como se o mundo estivesse em dívida com elas! É como se dissessem: “Todo mundo pensa em si, só eu penso em mim...”.

Uma das maiores críticas ao sistema implantado no governo FHC e ampliado no governo Lula, chamado Bolsa Família, embora seja mundialmente reconhecido como um programa modelo de distribuição de renda, é que carece justamente de mecanismos que ajudem a melhorar a distribuição de renda sem causar dependência e desestímulo à busca de iniciativa própria para o autossustento. Existem muitos que preferem ficar prostrados sem nenhuma iniciativa para receberem o benefício.

Aliás, autossustento é um tema de grande importância na política das nossas instituições sociais, com um esforço consciente de busca de sustento de origem nacional, para que as instituições sejam suportadas por programas nacionais, aliviando a pressão do sustento externo das instituições, ao mesmo tempo aliviando nossos parceiros para investirem em novos programas que visem a missão social, ou seja, a evangelização com responsabilidade social. Um grande exemplo é o PEPE (Programa de Educação Pré-Escolar).

Alguns exemplos da nossa ação social estão vinculados aos Núcleos Sociais ou Centros de Atendimento direcionados ao desenvolvimento de programas de geração de renda e de profissionalização.

É muito interessante, por exemplo, o trabalho da padaria no Núcleo Social de Diadema: “Não basta dar pão, é necessário ensinar a fazer pão”. Isso poderá ajudar as pessoas (crianças, adolescentes, mães, etc...) a encontrarem o caminho do autossustento através da profissionalização. Depois de profissionalizada e autossustentada, uma pessoa não só deixará de ser dependente da caridade alheia, governamental ou de ONGs. Poderá vir a ser, inclusive, apoiadora de iniciativas semelhantes.

Lembro-me de um antigo programa de TV que passava aos sábados, cinco minutos antes do Jornal Nacional, chamado “Gente que faz”. Naquele programa demonstravamse muitas iniciativas de pessoas que saíram de uma situação de dependência e encontraram autossustentabilidade, ou de comunidades que foram apoiadas por pessoas com essa visão de ajudar outros a pescarem o peixe, a ponto de obterem destaque social e grande importância na vida comunitária.

Programas como trabalho voluntário, escolas de treinamento, aulas gratuitas ou a preços módicos, seja de artesanato, música, línguas, informática, padaria, culinária, etc... (ou seja, o multiministério com visão de Ação Social), poderão nos ajudar a cumprir o ensino de Jesus que disse para vestir o nu, saciar o sedento, suprir o faminto, visitar os presos, e fazer isso com tal dedicação como se o fizéssemos a Ele mesmo.

Jesus disse: “Ide e fazei discípulos de todas as nações”, e disse também: “Sempre que o fizestes a um destes pequeninos, a mim o fizestes...” (Mt 25.34-40).

Portanto, não leia apenas este editorial e este número do Batista Pioneiro, dedique-se a ajudar para que necessidades sejam supridas e o nome de Jesus seja conhecido e exaltado pelas nossas ações, que Ele preparou “desde a fundação do mundo para que andássemos nelas” (Ef 2.10b).


Pastor Samuel Esperandio
Diretor Executivo






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