sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Violões Precisam Ser Quebrados

Uma jovem professora, recém formada, começou a lecionar em uma escola pública de periferia, bem próxima a uma das favelas de nossa cidade.

A dura realidade dos alunos foi apresentada a ela nos primeiros dias de aula: problemas de aprendizagem, falta de limites e indiferença dos alunos foram alguns dos obstáculos que ela encontrou. No entanto, havia um grupo de professores que acreditava, se empenhava e queria ir em frente, enquanto outros, abandonavam a escola já nas primeiras semanas.

Um dia, emprestou o violão novinho do marido e preparou uma aula com música para as crianças. As três primeiras aulas foram maravilhosas, e ela estava muito feliz. Quase no final da última aula, as crianças incontroláveis acabaram derrubando o violão. Na confusão pisaram no instrumento e o quebraram.

Silêncio... Na frente dos alunos ela pára e começa a chorar. Imediatamente, todos ficam olhando para a professora, sentindo a mesma tristeza. As crianças ficaram espantadas com sua atitude, e já se preparavam para ouvir uma tremenda bronca.

Violão quebrado, coração partido. Será que era hora de desistir?

Ao compartilhar a situação com um professor experiente, esperando ouvir palavras de consolo e compreensão, ele simplesmente diz: "às vezes, alguns violões precisam ser quebrados". Que lição!

Ser professor é entender que algumas verdades precisam ser desmistificadas, polidas, transformadas. É ser corajoso para permitir-se aprender em meio a tanta confusão. É entender que nosso conhecimento, precisa ser constantemente estudado, revisto, detalhado. Implica em ser um estudante eterno, pois jamais deixamos de aprender. Mais do que isso, significa mostrar Jesus por meio de nossas atitudes.

Nesta semana em que homenageamos os professores, minha admiração a todos aqueles que, insistem em fazer diferente. Meu respeito a todos os mestres experientes que, como eu, ainda acreditam na educação e desejam ardentemente um presente e um futuro cheio de esperança para as novas gerações.

Querido professor: que violões ainda precisam ser quebrados em sua caminhada?



Martha Zimermann de Morais
Fonte: Boletim dominical da PIB DE CURITIBA - 17/10/2009 - Edição 42

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