sábado, 20 de fevereiro de 2010

INDÍGENAS: Elas também são chamadas

Quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010 - Rinaldo de Mattos


A Sociedade Xerente sempre foi bastante machista, com todo o respeito, e as mulheres simplesmente acompanhavam, de longe, com raras exceções, o desenrolar dos acontecimentos sociais e políticos. Mas, as coisas estão mudando. Na aldeia Brejo Verde (Mrãirê) a 80 km da cidade, por exemplo, onde trabalha nosso colega Pr. Mário L. G. Moura e onde teve início uma nova igreja sob a liderança espontânea de José Kumrĩzdazê, com cultos todos os sábados e domingos, as mulheres resolveram fazer também sua própria reunião todas as terças-feiras. Na aldeia Salto, onde trabalhamos, uma mulher dirigiu o culto, pela primeira vez, na ausência do Dirigente e seu Vice. E ela, Betânea Kuzadi, o fez com desenvoltura. Não somente dirigiu, mas usou da oportunidade para exortar os irmãos sobre como viver a vida cristã. Tudo isso sob o "pano de fundo" da crença Xerente de que a geração de uma criança, no ventre materno, depende apenas da semente masculina. A mulher é somente o invólucro onde a criança é gerada, diz a crença. Há, inclusive, uma expressão popular, um tanto depreciativa em relação ao sexo feminino, que diz: "Pikõ tô sakukrê si" 'A mulher é somente a vasilha'. E essa "sentença" sobre a mulher Xerente sempre a deixou para trás, em termos de liderança. Com a nova consciência, elas estão aprendendo que "Waptokwazawre Damã, pikõ sakukrê si kõdi". 'Para Deus, a mulher não é, de modo algum, somente a vasilha.' Elas estão entendendo que Deus chama homens e mulheres para o seu trabalho. E esse é um novo sinal no desenvolvimento da igreja Xerente e, por que não dizer, um sinal também de resgate da dignidade feminina. Louvado seja Deus!
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